quarta-feira

L. C. Jurídica - Texto dos Slides da Aula do dia 19/08

ARGUMENTAÇÃO
Professora Hélide
ARGUMENTAÇÃO


“Sem a argumentação, o Direito é inerte e inoperante.”

Victor Gabriel Rodriguez


Nas relações com outros indivíduos, o homem usa a linguagem como um mecanismo de ação carregado de intencionalidade.

A linguagem torna-se o instrumento para a interação social, transmitindo pensamentos, vontades, experiências, tentando envolver o destinatário na consciência interior do locutor, a fim de que participe da sua realidade e de seu conhecimento de mundo.

Quando há o ato interativo, o locutor tem a intenção de atuar no pensamento e no agir do seu ouvinte. Essa intencionalidade no discurso é realizada por meio de argumentos. E é nesse discurso argumentado que há pretensões, há persuasão.

* O QUE É ARGUMENTAR?

* Argumentar é oferecer razões para sustentar um ponto de vista, um teste, ou uma conclusão.

* O objetivo de todo o discurso argumentativo é modificar o comportamento do auditório, ou seja, provocar uma atitude ou crenças novas ou alterar atitudes ou crenças existentes.

* Argumentar é a arte de convencer e persuadir. Convencer é saber gerenciar informação, é falar à razão do outro, demonstrando, provando. (...) Persuadir é saber gerenciar relação, é falar à emoção do outro. (...) Mas em que convencer se diferencia de persuadir?

Convencer é construir algo no campo das idéias. Quando convencemos alguém, esse alguém passa a pensar como nós. Persuadir é construir no terreno das emoções, é sensibilizar o outro para agir.

* Quando o advogado se põe diante de uma causa concreta, deve elaborar uma tese de defesa dos interesses de seu cliente. Para tanto, estuda a pretensão deste, ouve com atenção suas alegações leigas, toma conhecimento de todos os elementos fáticos e argumentativos que lhe possam ser úteis. A partir daí, estuda, consulta, lê, até o momento em que consegue elaborar uma tese viável para seu cliente. Formular a tese não significa que a petição inicial, por exemplo, está pronta, mas já deu seu passo inicial.

* Antes de convencer alguém, o advogado procura convencer-se a si mesmo de que a solução a ser pleiteada é a melhor. Para isso, procede a uma análise prévia do processo, sendo seu primeiro julgador. Sob a ótica da tese contrária, imagina todos os argumentos oponíveis aos seus e tenta combatê-los mentalmente.
PERSUADIR X CONVENCER

* “Para quem se preocupa com o resultado, persuadir é mais do que convencer, pois a convicção não passa da primeira fase que leva à ação” (...) “Em contrapartida, para quem está preocupado com o caráter racional da adesão, convencer é mais do que persuadir” (Perelman)
ARISTÓTELES

* Diferente dos sofistas, Aristóteles ensinava a persuadir tanto pelo sentimento como pela prova; a intenção é que comandava o uso da palavra. Aristóteles colocava a retórica a serviço do verdadeiro e do justo e a definia como "instrumento da opinião", em que o orador recorria a ela para persuadir um auditório; havia um empenho em interessar, impressionar, convencer e, em seguida, levar à ação. Aristóteles percebeu que a honestidade e a justiça eram argumentos bons para conquistar a adesão do auditório.


RECURSOS DE LINGUAGEM

Temos como recursos da linguagem persuasiva, dentre outros, os "estilos e as figuras", como por exemplo:



- praticar a tautologia ("eu sei, eu creio");
- utilizar máximas ("nem tudo é possível");
- colocar-se no meio dos interlocutores ("nós todos podemos...");

- criar frases feitas ("uma sociedade mais justa, mais humana, mais livre");
- estabelecer constatação, a fim de fazer afirmativas que se pretendem inegáveis ("trata-se de..., é verdade..., é preciso dizer...");

-utilizar perguntas retóricas (transmitir certezas sob forma de perguntas feitas aos interlocutores).
Ex.: Vocês querem obter o grau de bacharéis em Direito?


1. CREDIBILIDADE - o persuadido, para a "aceitação de uma idéia“, exigirá que seja verdadeira, e para ser verdadeira, ela deve relacionar-se com fatos, testemunhos, provas.

* COERÊNCIA - o "persuasor" entra na ordem da demonstração da lógica e da argumentação. Preocupado com a coerência, terá, portanto, interesse em testar a qualidade das interdependências e das relações entre as partes de seu discurso.

* CONSISTÊNCIA - o "persuasor" demonstra consistência quando há uma continuidade no seu propósito, quando aquilo que ele diz hoje não se opõe ao que dizia ontem.

* A partir desses itens, percebemos que a escolha das palavras, o encadeamento das idéias, o domínio dos conectivos, são alguns dos elementos que marcam a intencionalidade na persuasão. São eles que fazem com que o discurso produza um efeito desejado sobre o interlocutor de forma coerente.



“POR TRÁS DE TODO DISCURSO SUBJAZ UMA IDEOLOGIA”

INGEDORE KOCK
BIBLIOGRAFIA
* BELLENGER, Lionel. A persuasão e suas técnicas. Tradução: Waltensir Dutra, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987.
* BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao pensar: O Ser, o Conhecimento, a Linguagem. 22a. ed. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 1994.
* CITELLI, Adilson. Linguagem e Persusão. 1ed. São Paulo: Ática, 1985. (Série Princípios).
* DUCROT, Oswald. O dizer e o dito. Revisão da Tradução: Eduardo Guimarães. Campinas, SP: Pontes, 1987.

BIBLIOGRAFIA
* GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. 17a. ed. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1997.
* GUIMARÃES, Eduardo. Texto e argumentação: um estudo de conjunção do português. Campinas/SP: Pontes, 1987.
* PERELMAN, Chaïm. Le Champ de l’argumentation. Presses Universitaires de Bruxelles, 1970.

ANÁLISE ARGUMENTATIVA
* “O exórdio que se refere ao auditório visará a estimular o amor-próprio deste, falando de suas capacidades, de seu bom senso, de sua boa vontade”.

(Perelman)
ANÁLISE
* O advogado faz o exórdio falando da sua experiência e do seu currículo, cita as viagens que fez ao exterior e por várias vezes, anuncia que tem 62 anos de idade.

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